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Como evitar os maiores desafios da sucessão patrimonial

  • Foto do escritor: Advocacia Manhães de Almeida
    Advocacia Manhães de Almeida
  • 27 de jan.
  • 3 min de leitura

A sucessão patrimonial é um dos momentos mais sensíveis na organização jurídica e familiar. Quando não há planejamento adequado, o que deveria ser um processo de continuidade e proteção do patrimônio pode se transformar em conflitos, custos elevados e longos litígios.


Os desafios mais comuns da sucessão não surgem por acaso. Eles decorrem, em grande parte, da ausência de estratégia jurídica prévia e do desconhecimento das regras sucessórias previstas na legislação brasileira.


Neste artigo, abordamos como evitar esses obstáculos e conduzir a sucessão patrimonial de forma segura, eficiente e alinhada à vontade do titular.


Entre os problemas mais recorrentes enfrentados pelas famílias, destacam-se:


- Conflitos entre herdeiros;


- Inventários longos e onerosos;


- Falta de liquidez para pagamento de tributos, especialmente o ITCMD;


- Patrimônio desorganizado ou irregular;


- Desconhecimento sobre regimes de bens e direitos do cônjuge;


- Decisões tomadas de forma precipitada após o falecimento.


Esses desafios, embora comuns, podem ser evitados ou significativamente reduzidos com planejamento adequado.


1. Conhecer as regras da sucessão legal é o primeiro passo


O Código Civil (Lei nº 10.406/2002) estabelece que, na ausência de planejamento, a sucessão seguirá a chamada ordem legal, respeitando os herdeiros necessários — cônjuge, descendentes e ascendentes (art. 1.845).


Isso significa que, sem organização prévia, a vontade do titular pode não ser integralmente atendida, e a partilha ocorrerá conforme critérios legais, muitas vezes distantes das expectativas da família.


Compreender essas regras é essencial para identificar o que pode ser decidido em vida e o que será automaticamente definido pela lei.


2. Planejar a sucessão ainda em vida evita conflitos futuros


Grande parte dos litígios sucessórios nasce da falta de clareza. O planejamento sucessório permite:


- Definir previamente a destinação do patrimônio;


- Estabelecer regras claras para a partilha;


- Reduzir interpretações subjetivas e disputas familiares;


- Preservar relações e evitar desgastes emocionais.


Instrumentos como testamento, doações em vida, cláusulas restritivas e organização patrimonial possibilitam uma sucessão mais equilibrada e previsível.


3. Avaliar o impacto tributário é fundamental


O ITCMD — Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação — é de competência estadual (art. 155, I, da Constituição Federal), com alíquotas que variam conforme o Estado, podendo chegar a 8%.


A ausência de planejamento pode gerar situações em que os herdeiros recebem patrimônio, mas não possuem recursos imediatos para arcar com o imposto, o que paralisa inventários e gera penalidades.


Antecipar esse impacto permite:


- Preparar financeiramente os herdeiros;


- Avaliar o melhor momento para transmissões;


- Evitar bloqueios e atrasos na partilha.


4. Organização documental reduz atrasos e custos


Outro desafio frequente é a falta de documentação regularizada. Imóveis sem matrícula atualizada, bens sem registros claros ou ausência de comprovação de titularidade dificultam o inventário e elevam os custos do processo.


Manter o patrimônio organizado — com registros, contratos e documentos atualizados — é uma medida simples, mas extremamente eficaz para evitar entraves futuros.


5. Avaliar a possibilidade de inventário extrajudicial


Desde a Resolução nº 35/2007 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e de acordo com a recente Resolução 571/2024 do CNJ o inventário extrajudicial tornou-se uma alternativa mais célere e menos onerosa, desde que:


- Todos os herdeiros sejam maiores e capazes;


- Haja consenso entre os herdeiros;


- O ato deverá ser assistido por um Advogado que, juntamente com os herdeiros, subscreverá a escritura de partilha;


- Seja recolhido o ITCMD;


- Não exista testamento válido (ou que ele já tenha sido judicialmente registrado).


O planejamento sucessório pode preparar o cenário para essa via, reduzindo tempo e custos para a família.


Se houver bens no exterior, esses bens não podem ser inventariados via escritura pública no Brasil.


6. O suporte jurídico especializado faz toda a diferença


A sucessão patrimonial envolve aspectos jurídicos, tributários, familiares e, muitas vezes, empresariais. A atuação preventiva de um advogado especializado permite:


- Identificar riscos antes que se tornem problemas;


- Escolher os instrumentos mais adequados para cada realidade;


- Garantir que as decisões estejam em conformidade com a legislação;


- Proteger o patrimônio e a vontade do titular.


Os maiores desafios da sucessão patrimonial não são inevitáveis. Eles surgem, na maioria das vezes, da ausência de planejamento e de orientação adequada.


Organizar a sucessão em vida é um ato de responsabilidade, cuidado e visão de longo prazo. Com estratégia jurídica e informação correta, é possível proteger o patrimônio, preservar relações familiares e garantir segurança para quem fica.



Fontes

Código Civil – Lei nº 10.406/2002

Constituição Federal – art. 155, I (ITCMD)


Cordier Investimentos – Os principais erros no planejamento patrimonial e como evitá-los


Conselho Nacional de Justiça

 
 
 

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