CPI da HIS: A investigação das irregularidades no mercado de Habitação de Interesse Social
- Advocacia Manhães de Almeida
- 24 de mar.
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A CPI da HIS (Habitação de Interesse Social) é uma Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada na Câmara Municipal de São Paulo com o objetivo de investigar irregularidades envolvendo os empreendimentos de HIS na cidade. Esta comissão tem trazido à tona questões cruciais sobre a venda desse tipo de unidade habitacional para um público que não se enquadra nas faixas de renda fixadas pela legislação..
O que é Habitação de Interesse Social (HIS)?
Antes de entender o impacto da CPI e o seu propósito, é essencial compreender o que significa Empreendimento de Habitação de Interesse Social (EHIS). Esses empreendimentos referem-se a projetos de moradias populares na Cidade de São Paulo destinadas a famílias de baixa renda (geralmente até 6 salários mínimos) e dessa forma, reduzir o déficit habitacional e promover inclusão social. São imóveis com regras específicas de preço, tamanho e localização, frequentemente subsidiados e com benefícios urbanísticos e financeiros para os empreendedores.
Em São Paulo, os empreendimentos HIS recebem benefícios como:
- Potencial construtivo maior
- Incentivos no zoneamento urbano
- Facilidade na aprovação de projetos e financiamento
- Preços e condições diferenciadas de venda
Porém, essa classe de imóveis tem como contrapartida a exigência de atendimento a faixas de renda específicas, com o objetivo de garantir o acesso de famílias de baixa renda.
A finalidade da CPI da HIS
A CPI da HIS foi criada para investigar a produção e comercialização irregular de unidades de HIS por empresas e entidades atuantes em São Paulo. Entre os principais focos da investigação, estão:
- Venda de unidades para pessoas fora da faixa de renda prevista para HIS
- Uso de imóveis de HIS para fins comerciais, como locações ou investimentos privados sem atendimento à população de baixa renda
- Fraudes na comprovação de renda dos compradores
- Falta de fiscalização sobre o cumprimento das regras e a destinação social dos imóveis
- Benefícios urbanísticos concedidos a empreendimentos que não atendem à população de baixa renda
O contexto que motivou a CPI
A CPI surgiu após denúncias de irregularidades envolvendo o desvio de finalidade dos imóveis HIS. As críticas incluem:
- Venda de unidades para investidores ou para pessoas que não atendem os limites de renda;
- Preços elevados e financiamento inacessível, dificultando o acesso da população alvo;
- Uso de unidades para aluguel de curta duração ou como investimentos imobiliários;
- Aproveitamento indevido de incentivos urbanísticos e fiscais.
Essas distorções apontam para um problema grave, onde a função social dos empreendimentos de HIS, prevista na legislação, não estaria sendo cumprida.
Funcionamento da CPI
A CPI foi instalada em 2025 e realiza uma série de atividades, incluindo:
- Convocação de representantes das construtoras e incorporadoras para depoimentos;
- Depoimentos de autoridades da política habitacional;
- Requisição de informações à Secretaria Municipal de Habitação e outros órgãos públicos;
- Análise de contratos e dados de comercialização dos empreendimentos HIS.
A comissão é presidida pelo vereador Rubinho Nunes e tem como vice-presidente o urbanista e vereador Nabil Bonduki, figuras de destaque na discussão sobre o desenvolvimento urbano de São Paulo.
Questões urbanísticas relevantes
A CPI tem implicações diretas para o direito urbanístico, pois toca em temas como:
- Instrumentos urbanísticos de incentivo à habitação social;
- Relação entre mercado imobiliário e política habitacional;
- Controle público sobre a destinação social das unidades de HIS.
A discussão gira em torno de como os incentivos urbanísticos para HIS têm sido aplicados e se estão realmente cumprindo a função social prevista pela legislação.
Conclusão
A CPI da HIS é um movimento importante para corrigir as distorções encontradas no mercado imobiliário de habitação de interesse social em São Paulo. A investigação tem a missão de garantir que os recursos e incentivos destinados à moradia popular sejam usados de forma correta e que as políticas públicas realmente atendam à população de baixa renda, sem prejudicar o desenvolvimento urbano e a cidade como um todo.
Esse debate é crucial para a transparência e justiça social no acesso à habitação e deve ser acompanhado de perto por todos os cidadãos que se preocupam com o futuro de São Paulo.

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